29.10.2008 | Música | Ao Vivo
Camané deixa cheiro a fado no Theatro Circo
Em vez do xaile sobre os ombros, a mão do bolso. Camané subiu ao palco do Theatro Circo sob as luzes de lampiões de uma rua qualquer de Lisboa. Daquelas em que se ouve fado na rua e palmas a acompanhar.
Theatro Circo, Braga, 24 de Outubro de 2008
A festa do segundo aniversário do Theatro Circo, em modo aperaltado, culminou com um «parabéns a você» diferente. Na passada sexta-feira, não houve cantoria desafinada mas um concerto de Camané. Quase trinta canções fizeram o público, um pouco mais velho do que o habitual, aplaudir o músico de pé, mais que uma vez.
O caudal de palavras cantadas desenrolou-se a partir de Sei de um rio. O single do trabalho novo, Sempre de Mim, teve honras de abertura e fecho da casa que quase encheu para fazer silêncio. Afinal, ia cantar-se o fado.
Poemas de Fernando Pessoa, Pedro Homem de Mello e Manuela de Freitas, entre outros, tomaram forma na voz de Camané. As canções do novo álbum foram dedilhadas uma a uma. Lembra-te sempre de mim, Bicho do conta, Dança de volta, Te juro, Este silêncio, muitos suspiros e, podia apostar-se, uma ou outra lágrima escondida.
Mesmo com o protagonismo de Sempre de Mim, algumas músicas mais antigas também tiveram o seu destaque: Mais um fado no fado, Marcha do Bairro Alto, Saudades trago comigo. Aquele momento que antecede a voz grave que diz Senhora do Livramento, e a divertida Ela tinha uma amiga, de José Mário Branco, roubaram uma parte significativa da atenção e muitos «Ah, fadista!».
Os músicos que acompanham Camané, José Marmelo Neto, na guitarra portuguesa, Paulo Paz, contrabaixo, e Carlos Manuel Proença, guitarra clássica, puderam mostrar-se sozinhos enquanto o cantor se preparava para voltar de um pequeno intervalo. A audiência não se mostrou minimamente aborrecida, aplaudindo entusiasticamente o momento.
O músico mostrou-se muito satisfeito por actuar no Theatro Circo. Neto de fadistas, Camané confessou ao público bracarense que não poderia fazer outra coisa na vida que não cantar. Para além das referências familiares, Alfredo Marceneiro, Amália e Carlos do Carmo são os mestres maiores.
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