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Blasted Mechanism - The First Move

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 17.04.2009 | Música | Ao Vivo

Blasted Mechanism despertam fogo e água da Lagoa das Sete Cidades

 

O lançamento de Mind At Large levou milhares de espectadores ao paraíso açoreano, 160 dos quais voando no Blasted Fan Plane. Com Karkov ou Guitshu, os Blasted Mechanism respondem como um todo e as suas performances são sinónimo de festim.

 

Os Blasted Mechanism lançaram o repto. A pré-compra de Mind At Large, a sexta geração de uma das bandas de proa do música portuguesa, habilitaria 160 fãs a embarcar no Blasted Fan Plane, rumo à Lagoa das Sete Cidades nos Açores. «O vulcão que a Natureza transformou numa lagoa», descomplica Valdjiu, horas antes do concerto. Guitshu — o novo vocalista, sucessor de Karkov — esperava que o espectáculo «acordasse de novo o vulcão, sem que a sua harmonia seja perturbada pela presença humana». A presença durou três dias e cada minuto era um evento. Recuemos o relógio.

 

O Blasted Fan Plane transportava não só os fãs — que se encarregaram de começar a festa no voo, com animadas performances instrumentais com a participação especial do percussionista Winga — como todos os elementos que, segundo o sempre muito interventivo Valdjiu, ao microfone do avião, «tornaram tudo isto possível»: «Os Blasted Mechanism não são apenas os seis elementos que vêem em palco, mas também o pessoal que colabora na elaboração dos fatos, dos instrumentos e as nossas próprias famílias». A imprensa, que também ocupava dezenas de lugares de um avião que dançava, ia registando.

 

Não há memória de uma pré-compra de CD tão gratificante. Os felizes contemplados anteciparam o primeiro contacto com Mind At Large colocando-o a rodar nos autocarros que faziam a transição entre o aeroporto João Paulo II e a paradisíaca Lagoa das Sete Cidades. Ao som de Under the sun, Grab a song, Start to move e Magic dance soltavam-se uau’s e wow’s sempre que se avistavam as lagoas verde e azul que, reza a lenda, surgiram das lágrimas vertidas pelo amor impossível da princesa Antília e do seu amado cujos olhos tinham as referidas cores.

 

Miúdos ou graúdos, todos os habitantes da Vila das Sete Cidades, pacata com os seus três restaurantes e outras tantas mercearias, estavam felizes com a presença dos Blasted Mechanism que, melhor ou pior, todos conheciam. «Eles vêm tocar muitas vezes aos Açores», contabiliza o dono do agora agitado restaurante Lagoa Azul, que num exemplo da hospitalidade dos habitantes da pequena localidade chegou a dar boleias para Ponta Delgada, após falência da única caixa multibanco disponível.

 

Na Dome instalada junto à lagoa a festa era assegurada pelos Nação Vira Lata — grupo de percussionistas que evoluem com o mentor Winga — que agitavam com as suas actuações e workshops e até pelos Blasted Mechanism, que numa demorada mas animada conferência de imprensa, desmitificaram assuntos como a adaptação do novo vocalista, a tecnologia de «realidade aumentada» de Mind At Large, a escolha da Lagoa das Sete Cidades para a apresentação. Valdjiu revelou que afinal não havia aterrado o avião e apresentaram-se instrumentos tão portugueses como o adoufe e tão originais como o banjo bandola utilizados no novo álbum e que seriam uma das figuras do ponto alto dos três dias, The First Move — o concerto.

 

A entrada era gratuita não só para os passageiros do Blasted Fan Plane como para toda a gente curiosa. A resposta do público foi maciça e cerca de sete mil pessoas estiveram «under the rain», tal brincou Guitshu em Under the sun, um dos temas do novo trabalho que mais mexeu com o público. O homónimo do disco e Panacea — que alude à deusa da cura de todos os males na mitologia grega — não deram descanso ao público eufórico que matou saudades do sempre enérgico (e que andava esquecido nos alinhamentos mais recentes) Atom bride theme e gritou por Karkov, não o antigo vocalista mas sim o tema que pôs todos a gritar expressões como «nadabrovitchka schultze».

 

Palavras do famigerado Mestre Agostinho da Silva foram repetidas, no tema que serve que serve de single de lançamento Start to move, que se fez ouvir por duas vezes, a última das quais a encerrar o tremendamente intenso concerto que agitou a lagoa que contou com um pequeno e breve senão. Horas após o concerto, Valdjiu viu-se forçado a interromper a festa que se prolongava na Dome. O público não havia cumprido o único pedido que inúmeras vezes havia feito. «Dei uma volta pela Vila das Sete Cidades e isto está um nojo. É só lixo. Os Blasted Mechanism neste momento estão junto ao palco com sacos a tentar deixar isto como estava».

 

Na companhia de poucos açoreanos, os felizes contemplados que no dia seguinte voltariam a casa no Blasted Fan Plane pegaram em sacos e em poucos minutos devolveram a harmonia ao local. A dívida para com os Blasted Mechanism era enorme. A dívida para com a Lagoa das Sete Cidades era ainda maior.

 

 

 

[Todas as fotografias foram gentilmente cedidas ao RASCUNHO por Fábio Teixeira.]

Luís Carlos Soares
 
etiquetaEtiquetas: Blasted Mechanism, Karkov, Nação Vira Lata, Agostinho da Silva,  
 
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Comentários (1)

Gravatar Carlos F. F. Honório
17-04-2009
Sim um grande testemunho do que se passou nesses 3 dias mágicos. Obrigado pelo relato e pelas excelentes fotos que parecem que falam.

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