25.10.2009 | Música | Ao Vivo
No aquecimento, o talento apareceu primeiro, a festa depois
Musicbox rebentou pelas costuras num desfile – primeiro inspirado e depois transpirado – que foi do dubstep ao reggae. Os portugueses Ride e Bezegol tiveram as honras de abrir o terceiro Jameson Urban Routes.
Musicbox, Lisboa, 22
de Outubro de 2009
A Jameson desafia os lisboetas a descer até ao Musicbox para
mais um Urban Routes. A terceira edição, a deste ano, contou com a
particularidade de a noite inaugural ser à porta aberta. Se estivéssemos num festival
de Verão, tratar-se-ia de uma recepção ao campista. Num festival de música urbana, com apelo à dança, preferimos um exercício de aquecimento para os
grandes nomes.
Num evento onde os
primeiros a actuar são os mais esperados, as letras mais carregadas do cartaz
para a noite de 22 de Outubro, exibiam os nomes dos portugueses Ride e Bezegol. A mesa de mistura, no extremo da sala que serve de palco, antevia que o disc jockey seria o primeiro a sair da
porta com a sinalética de saída de emergência que não perde nenhum concerto.
Quem também não o queria perder, era o público que, entre as
23h30 – hora marcada – e a meia-noite – hora a que começou o concerto – encheu
a caixa de música mas… não levou muita vontade de dançar.
Ride começou igual a
si mesmo, perito no que à electrónica diz respeito. Mudar de género musical – dubstep, acid, hip-hop, jazz,
brincadeiras coordenadas no mpc ou
batalhas de scratch com o duo
convidado, Beatbombers – é tão simples como para um barman servir a bebida que dá nome ao evento. Só que atrás do
balcão não havia muito trabalho. Os potenciais clientes estavam concentrados em
esboçar movimentos com a cabeça. Os
últimos a chegar ao Cais do Sodré poderiam pensar que tinham entrado num local
de culto religioso tal a ordem no público.
Nem o single Beat
journey – que levou Ride a sugerir visita ao portal da Optimus Discos, onde
o EP homónimo está disponível para download gratuito: «toda a gente gosta de borlas, não é?» – fez mossa no público
sincronizado.
Da mesma trupe, a que Henrique Amaro apontou o indicador,
faz parte Bezegol. Com este, houve uma revolução, não pela atitude do portuense
– do revolucionário Manu Chao tem pouco – mas pelo impacto que teve no público
– até aqui é parecido com Gentleman. Dizemos «até» porque as semelhanças
físicas são mais do que evidentes.
«'Tamos juntos e só 'tamos a começar», gritava a voz rouca mas entusiasmada com o feedback obtido. A partir daí, foi
todo um desfile transpirado de temas de uma carreira que não tarda a completar
uma década. Ora reggae como, o tão
desejado, Fire como rap em Rude rap – que conta peripécias dos tempos em que crescia no
problemático bairro da Pasteleira –, ora gipsie em Keep marching. Ora consagrados
como Forever love ou Let them know, ora temas do Rude EP como Rude sentido ou Rude love.
No encore,
repetição de Tempu e, quando a festa
ameaçava prolongar-se com mais uma canção que já havia transpirado, Bezegol não
pode dar mais do que os primeiros versos de Rude
sentido. Tó Trips que adornou este tema no Rude EP não marcou presença. Ride, sempre polivalente, dava uma
mãozinha a guardar as costas da trupe.
Mais do que uma editora, a Optimus Discos é uma equipa. No aquecimento do Jameson Urban Routes, o
talento apareceu primeiro, a festa depois. Para a memória, O RASCUNHO trouxe uma mão cheia de fotos, de Fábio Teixeira, a ver abaixo.
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