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 21.01.2010 | Música | Ao Vivo

Cabaret tão aconchegante parece Minta

 

Para além de um dos melhores discos do ano, Minta & The Brook Trout é sinónimo de canções que transformam o Maxime num local que não estranharia chocolate quente. O RASCUNHO trouxe fotografias.

 

Cabaret Maxime, Lisboa, 14 de Janeiro de 2010

 

A resistência a um Inverno marcado por temperaturas mais baixas do que as que estamos habituados não é novidade de ano novo. A agitação vivida na Praça da Alegria nos dias que precederam o incêndio do Hot Club já lá vai e o dia terminava nas imediações do Maxime. No interior, um colectivo que não apresentava novidades liderado por uma voz que nos últimos tempos foi notícia enquanto aquisição, no ‘mercado de Inverno’ diriam os do futebol, da banda de suporte de um artista reconhecido na praça pública.

 

Sob um alter-ego atento à bibliografia de Virginia Woolf, Francisca Cortesão, a Minta, fez um dos melhores discos do último ano no nosso país, no qual David Fonseca ouviu uma voz preciosa para o seu empenhado projecto. Curiosamente, foi ela que se insinuou, forma verbal que exprime uma atitude que deveria experimentar mais vezes: a ousadia.

 

Sem nunca o encarar, presenteou o público com a luminosidade e o conforto das suas melodias. Um desfile que desejamos ouvir com aquela que faz com que a vela na mesa de um restaurante faça sentido, sem explanarmos toda a familiaridade com as canções, não vá a estimada companhia adivinhar as horas que passamos com uma voz que canta A song to celebrate our love e convidar o ciúme.

 

As luzes do cabaret focavam um palco com gente sentada. Minta não poupou incentivos a aplausos aos The Brook Trout, a malta com quem arquitectou On lust, Without it ou Large amounts, os temas mais celebrados da noite. As cordas do baixo de Mariana Ricardo e da guitarra do refastelado Manuel Dordio, cuja qualidade a constante solicitação para inúmeros projectos alheios comprova, juntam-se às da guitarra de Minta para certificar o público, também todo ele sentado, de que havia escolhido, por entre uma fria noite, o serão mais aconchegante. O adjectivo sugere chocolate quente. Do palco, Minta aludiu ao prazer de uma cerveja perto daqueles com quem nos sentimos bem. Gostamos da forma como soa a companhia, esperamos pela ousadia de um convite olhos nos olhos.

 

As fotografias abaixo são de Fábio Teixeira.

 

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Luís Carlos Soares
 
etiquetaEtiquetas: Minta, Minta & The Brook Trout, Virginia Woolf, Maxime,  
 
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