01.04.2010 | Cinema |
Novos filmes de Manuel Mozos e João Nicolau chegam às salas
Dois cineastas, duas gerações, ambos com percursos inovadores no cinema português, juntam os seus filmes mais recentes, premiados em festivais portugueses e internacionais.
A curta de João Nicolau Canção de Amor e Saúde e a longa Ruínas, de Manuel Mozos, estreiam
esta quinta-feira nas salas portuguesas, em exclusivo nos cinemas Medeia Teatro do Campo
Alegre (Porto) e Cinema King (Lisboa).
Canção de Amor e Saúde projectou o jovem realizador João
Nicolau para os holofotes internacionais, com a vitória na Quinzena dos
Realizadores em Cannes, além de muitos outros prémios (entre eles o de melhor filme da competição nacional do Festival de Curtas de Vila do Conde, o
Grande Prémio TOBIS, ou o Grande
Prémio Curta Metragem no Entrevues – Festival du Film de Belfort).
Em Canção de Amor e Saúde, o enredo centra-se na personagem
de João, o único empregado visível no estabelecimento comercial Chaves Morais.
É também o filho do proprietário e não se coíbe de se ausentar do serviço para
auscultar o sopro imaterial do seu coração, gastando moeda atrás de moeda na
Máquina do Amor. Marta do Monte é uma estudante de Belas Artes portadora de uma
inusitada encomenda, conta a produtora O Som e A Fúria.
No filme Ruínas, Manuel Mozos percorre Portugal à procura de
lugares (sobretudo edifícios) que dada altura deixaram de servir o propósito
para que foram construídos. A lei de Lavoisier postula que na natureza «nada se
perde e tudo se transforma», e Manuel Mozos, neste filme, mostra bem que
esta regra não tem aplicação para lá do mundo natural. Estes lugares, e estes
edifícios, não se «transformaram», limitaram-se a apodrecer e, se se
transformaram nalguma coisa, foi na sua própria ruína, vaga lembrança de tempos
idos e memórias «mineralizadas» das funções para que foram construídos.
Ruínas arrecadou o prémio de melhor longa-metragem portuguesa no IndieLisboa, em 2009, e o prémio internacional Georges de Beauregard, no Festival FIDMarseille.
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