25.06.2010 | Cinema |
Curtas Vila do Conde já é adulto, mas continua deliciosamente irresponsável
Vila do Conde nunca se fica pela novidade do ano anterior, e por isso a edição deste ano traz novas secções como «Da Curta à Longa» ou «Analog 3D». Buster Keaton, Ken Jacobs e os irmãos Larrieu já têm bilhete.
O Teatro Municipal de Vila do Conde recebe este ano toda a programação do 18.º
Festival Internacional de Curtas-Metrages de Vila do Conde, que acontece de 3 a 11 de Julho. São três as
salas prontas para acolher todas as secções (dez!) da edição deste ano. Para não
confundir e ser mais fácil escolher, o melhor é ir por partes. Novidades
primeiro, clássicos depois.
Da curta à longa
Um
upgrade do Work in Progress, a secção do Curtas que acompanhava autores que de
alguma forma estavam associados ao festival. Este ano, apresenta
filmes feitos no último ano por artistas que agora se atreveram pela
longa-metragem ou outros formatos artísticos. Sam Taylor-Wood, vencedora
em 2008 do prémio de Melhor Curta-Metragem Europeia com Love You More,
mexe mais uma vez na discografia do rock britânico e põe a tocar Nowhere Boy,
um filme baseado na biografia dos primeiros anos de John Lennon em Liverpool.
Luc Moullet,
alvo de uma retrospectiva no festival em 2004, volta com La Terre de la
Folie, um documentário filmado no ano passado. O realizador francês foi ao
Alpes constatar, com base na sua história familiar e outros relatos, que não
eram raros os casos de perturbações mentais na região. Daí, surgem as histórias
mais sinistras de crimes violentos.

No ano
passado, Salla Tykka teve direito a uma retrospectiva individual na
Solar – Galeria de Arte Cinemática. Volta em 2010 com o seu mais recente
trabalho: Airs Above The Ground, uma curta que reflecte sobre a ideia de
beleza na sociedade contemporânea.
A sessão
de encerramento vai exibir um filme surpresa desta secção. Em 2005 Apichatpong
Weerasethakul foi o convidado da Focus do festival, onde deu uma masterclass
e teve o seu trabalho exposto na Solar. Será que o Palma de Ouro Uncle
Boonmee Who Can Recall His Past Lives vai fechar em beleza o Curtas? É uma aposta à qual podemos juntar, sem sair de Cannes, O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira (o cineasta tem uma forte ligação ao festival). Ou ainda Honey, que valeu a Semih Kaplanoğlu o Urso de Ouro, em Berlim, ou mesmo Winter's Bone, de Debra Granik, a escolha do júri de Sundance este ano. Apontamos para cima porque as surpresas são feitas para arrebatar.
Analog
3D: filmes oldschool a três dimensões
A febre
do 3D não é nova. Já nos anos 50 os grandes estúdios americanos usavam esta
tecnologia (mais rudimentar, é certo) para fidelizar o público ao cinema, e
roubá-lo ao conforto da televisão. Esta selecção mostra alguns dos filmes mais
marcantes dessa época, entre os quais se destaca Dial M For Murder, de Alfred
Hitchcock.

In
Focus: irmãos Larrieu e Ken Jacobs
Arnaud
e Jean-Marie Larrieu são alvo de uma retrospectiva das suas obras mais
recentes. Passaram pelo festival em 2000 com La bréche de Roland e em
2005 com Peindre ou faire l’amour (em exibição também este ano),
presente na competição oficial de Cannes. O trabalho dos irmãos conta
frequentemente com narrativas surpreendentes, onde o sexo se revela um momento
de catarse de casais em conflito.
Ken
Jacobs vai estar em todo o lado, este ano. Vencedor em 2007 do Grande
Prémio do festival com Nymph, o realizador americano vai ter estar em
Vila do Conde com uma performance e uma masterclass. Jacobs vai ter também a
Solar por sua conta, com a exposição Action Cinema, onde mostra alguns
dos seus projectos de experimentação digital.
Filmes de Rita Redshoes, Amália de Dead Combo
A música
já faz parte do Curtas. Nesta edição, Rita Redshoes apresenta as 13
curtas feitas propositadamente para o seu último álbum Lights and Darks.
Thirteen Films About Lights and Darks conta com filmes de vários
artistas de diferentes disciplinas como Paulo Furtado, David Fonseca, Pedro
Maia ou André Cepeda.
Os Orelha
Negra vão musicar Soundtracks for the City, uma colecção de Ian
Helliwell de curtas-metragens de promoção turística de várias cidades mundiais,
produzidas nos anos 60 e 70. Os Dead
Combo também fazem parte do Remixed, com um concerto instalação
concebido pelo cineasta Bruno de Almeida. Esse olhar que era só teu é
uma peça multimédia construída a partir da desconstrução de sons e imagens dos
filmes documentais sobre Amália Rodrigues.
Panorama:
nacional e europeu
O
panorama nacional mostra o que de melhor passou por outros festivais nacionais.
Este ano, marcam presença no Curtas, entre outros, Sandro Aguilar (quem
ainda se lembra do peixe de Arquivo, em 2007 no festival?) e Pedro
Serrazina, o autor do belíssimo Estória do Gato e da Lua. O
panorama europeu tira o pulso ao estado do cinema de quatro países da Europa.
Noruega, Suécia, Roménia e Polónia são os países em destaque.
Ficam por falar as competições e o Curtinhas que, pela sua importância,
merecem texto à parte no RASCUNHO. No sítio oficial do Curtas já é possível fazer o download do jornal do
festival com dias, horas e salas marcadas. A escolher.
| Carolina Lapa |
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