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«Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives», Apichatpong Weerasethakul

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 10.07.2010 | Cinema |

Palma de Ouro em Cannes fecha Curtas Vila do Conde

 

Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives, de Apichatpong Weerasethakul, é o filme surpresa da sessão de encerramento do festival, este sábado à noite.

 

O Curtas Vila do Conde conhece bem Apichatpong Weerasethakul. Em 2006, o realizador esteve no festival, onde foi alvo de uma retrospectiva da sua obra e teve uma exposição patente na Solar – Galeria de Arte Cinemática. No ano passado, o Curtas exibiu a sua última curta-metragem, A Letter to Uncle Boonme, um precursor da longa vencedora em Cannes.

 

Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives, que será exibido na sessão de encerramento do Curtas, este sábado á noite, conta a história de Boonme que, perto da morte, decide passar o fim da vida no campo, próximo da família. O fantasma da sua falecida mulher aparece para cuidar dele e o seu filho também, ainda que numa forma não humana.

 

O realizador explica de que é feito este filme, que venceu a Palma de Ouro em Cannes: «É uma homenagem à minha terra e a um certo tipo de cinema com que cresci. Eu acredito na transmigração das almas entre humanos, plantas, animais ou fantasmas. [Este filme] é uma história que mostra a relação entre o homem e o animal e, ao mesmo tempo, destrói a linha que os divide.»

 

«Para mim, a realização ainda é uma fonte de energia que nós ainda não usamos convenientemente, da mesma forma com que nós ainda não conseguimos explicar totalmente o funcionamento interno da mente. Para além disso, comecei a interessar-me pela destruição e extinção dos processos culturais e das espécies», adianta ainda.

 

«Nos últimos anos, na Tailândia, o nacionalismo, alimentando por golpes militares, trouxe uma confrontação de ideologias. Há agora uma agência do estado que funciona como polícia moral para banir actividades inapropriadas. É impossível não relacionar a história de Boonme e as suas crenças com estes problemas. Ele é um emblema de alguma coisa que está prestes a desaparecer, alguma coisa que é corroída como os velhos cinemas, teatros e formas de estar que não têm lugar na nossa paisagem contemporânea», finaliza.

 

Esse olhar que era só teu

 

Os Dead Combo vão musicar ao vivo um conjunto de imagens de Amália Rodrigues, manipuladas por Bruno de Almeida. É o espectáculo multimédia que vai fechar a noite de encerramento do festival. O cineasta vai manipular e desconstruir registos de gravações da cantora, criando dessa forma novas abordagens à imagem pré-concebida e até iconizada da maior fadista portuguesa. Às 00h30, na sala 1 do Teatro Municipal.

 

Sítio Oficial

Carolina Lapa
 
etiquetaEtiquetas: Curtas Vila do Conde, Apichatpong Weerasethakul, Dead Combo, Amália Rodrigues, Bruno de Almeida,  
 
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