Cinema
| Documentário
Metaal en Melancholie/ Metal e Melancolia
Heddy Honigmann, 1993
Metal e melancolia são dois conceitos que poderiam definir a
cidade de Lima, no Peru, no início dos anos 1990. Isto mesmo é afirmado por um
dos protagonistas que Heddy Honigmann filmou no seu regresso ao documentário
depois de 15 anos na ficção, precisamente intitulado Metal e Melancolia:
«Um famoso poeta espanhol disse que o Peru é feito de metal e melancolia.
Estava certo. Talvez porque a dor e a pobreza nos tornaram duros como os nossos
metais. E melancolia por também sermos ternos e desejarmos os bons velhos
tempos».
Nesta incursão da realizadora à sua terra natal, num trabalho encomendado por
uma cadeia de televisão holandesa, Honigmann encontra um país estrangulado pela
inflação e pela má gestão da classe política. Várias pessoas de uma classe
média (na verdade, inexistente) usam os seus carros pessoais para trabalharem
como taxistas, embora a maioria deles tenha outros empregos – actor de cinema,
funcionário do Ministério da Justiça, professor ou mesmo polícia.
A pobreza é transversal, mas as pessoas
vão tentando viver da melhor forma e
partilham com o espectador histórias de vida, que são também histórias de amor,
histórias de família, histórias de doença e de frustração. Mas são também
sorrisos, lágrimas, perspectivas diferentes para encontrar o lado mais luminoso
de existências que parecem condenadas à dor, em evocações pessoais cheias dessa
espécie de poesia peruana.
Heddy Honigmann consegue alcançar uma grande empatia e isso nota-se na maneira
como as pessoas acabam por se abrir e nos levam por vezes para lá do táxi, até
às suas casas. A agilidade que os protagonistas deste documentário mostram a contornar
os buracos da ruas degradadas de Lima e conduzir através do trânsito
descoordenado da cidade é a mesma que usam para sobreviverem às dificuldades.
Há relatos de revolta pela corrupção dos políticos. Há narrações cómicas de
estratégias usadas para evitar os furtos. A nostalgia de tempos mais felizes e
prósperos. São histórias que mereciam ser contadas que, a par da mestria da realização da holandesa de origem peruana, fazem
deste retrato vivo um agradável pedaço de cinema.

Este documentário foi exibido pela primeira vez em Portugal no programa «Os Filmes da Minha
Vida», de Maria João Seixas, na RTP2, e ganhou alguns prémios em festivais de cinema, como o Grand Prix do Festival de
Cinema du Réel, em Paris, o Golden Pigeon do Festival de Cinema Documental de
Leipzig e ainda o Golden Gate Award no Festival de São Francisco.
Sítio Oficial | IMDb
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