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É bom regressar a casa

Do mesmo artista
apontador Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!, 1978

 
   
 Música  |

Something For Everybody

 Devo, 2010

 

 

Divertidos, satíricos e vigorosos. Assumindo o papel habitual, estes suspeitos do costume pintalgam a nova estação com new-wave electrizante. Os Devo confirmam estar frescos e fica o aviso: estão de volta. «No place like home», é o que dizem.

 

Pelas mãos da Warner Brothers, regressam os americanos Devo com Something For Everybody, que chega em forma de presente, passadas quase duas décadas, a merecer assim um dos títulos de estreias veraneantes. O álbum é o que se pode esperar deles, uma merecida lufada de ar fresco (subentenda-se, sem qualquer tom pejorativo, que também chegou mais do mesmo) pelos já conhecidos ritmos dos homens imortalizados pela Whip it!. Regressam límpidos e simultaneamente robustos, numa corrida de doze faixas bem ornamentadas por aquilo que fizeram de melhor: new wave satírico e divertido a roçar o synthpop desviado do típico dos 80s.

 

O álbum, cujo single Don’t shoot (I’m a man) mostrou-se ao mundo em Abril do presente ano, assegura momentos nostálgicos e bastante enérgicos: sonoridades rápidas, fantasiosas e pujadas com aquilo a que a zine online Pitchfork classifica de conscientes «Devo-isms». A teatralidade de que os Devo sempre se serviram continua inerente à mensagem que sempre fizeram questão de passar, agora revestida e aperfeiçoada com a presença do electro-synthpop demarcado. Fiéis a si próprios, reconstroem aquilo a que sempre nos habituaram.

 

What we do, Fresh, Human rocket, Don’t shoot (I’m a man) elevam-se a hits, não obstante todas as restantes partilharem o pódio. Torna-se difícil seleccionar entre tantas, as supostas candidatas a single. No place like home levanta suspeitas, ameaçando a balada saudosista que se adivinha, quando um kick irrompe e desaba na repetição de «There’s no place like home... to return to», polvilhado com reminiscências do industrial melódico dos Covenant. Em What we do protegem-se de eventuais críticas, não impedindo porém de todo o trabalho ser alvo de reviews menos favoráveis.

 

Álbum especialmente para fãs, não esconde nem justifica a linha menos interventiva que outrora nos foi familiar em Freedom of Choice. Please baby please assume, paradoxalmente, o humor e a seriedade e quase se dançava em trejeitos de Add N To (X), não fosse a faceta orgânica com laivos de rockabilly (à mistura) no refrão. Mind games é uma intencional chamada ao blipblop – tentativa de atrair novos públicos e recuperarem outros menos punkie?com riffs repetitivos e viciantes, que impedem assim uma versão estilizada do que poderia ter acontecido, não fosse a ascensão semifinal da faixa. Ouve-se Fresh e pensa-se que, talvez, nem ficasse mal interpretada por Tim Curry, no seventie The Rocky Horror Picture Show, quem sabe depois de um «Eddie» Meat Loaf esquartejado por um Dr.Frank-N-Furter.

 

Marcados pelo regresso ao synhpop, mais que ao rock pós-qualquer coisa que várias fontes gostaram de lhes aplicar, estes Devo revestem as marchas imperativas com batidas gritantes em sequências óbvias com baixos de três notas, intercaladas com kicks sonantes, tão apreciadas e sedutoras no dancefloor. Doze novos temas em tour pelos EUA, num concerto que promete experiências pictóricas num vjiing igual a eles próprios: folião, cáustico e honesto ao imaginário político criado em vésperas dos 1980. E, desta vez, a cor vermelha dos míticos capacetes é substituída pelo azul. Eventuais interpretações semióticas ficam em aberto.

 

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