Música
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Something For Everybody
Devo, 2010
Divertidos, satíricos e vigorosos. Assumindo o papel
habitual, estes suspeitos do costume pintalgam a nova estação com new-wave
electrizante. Os Devo confirmam estar frescos e fica o aviso: estão de volta. «No
place like home», é o que dizem.
Pelas mãos da Warner Brothers, regressam os americanos Devo
com Something For Everybody, que
chega em forma de presente, passadas quase duas décadas, a merecer assim um dos
títulos de estreias veraneantes. O álbum é o que se pode esperar deles, uma
merecida lufada de ar fresco (subentenda-se, sem qualquer tom pejorativo, que
também chegou mais do mesmo) pelos já conhecidos ritmos dos homens
imortalizados pela Whip it!.
Regressam límpidos e simultaneamente robustos, numa corrida de doze faixas bem
ornamentadas por aquilo que fizeram de melhor: new wave satírico e divertido a
roçar o synthpop desviado do típico dos 80s.
O álbum, cujo single Don’t shoot (I’m a man) mostrou-se ao mundo em Abril do presente ano, assegura momentos nostálgicos e
bastante enérgicos: sonoridades rápidas, fantasiosas e pujadas com aquilo a que
a zine online Pitchfork classifica de conscientes «Devo-isms». A teatralidade de que os Devo sempre se
serviram continua inerente à mensagem que sempre fizeram questão de passar,
agora revestida e aperfeiçoada com a presença do electro-synthpop demarcado. Fiéis
a si próprios, reconstroem aquilo a que sempre nos habituaram.
What we do, Fresh, Human rocket, Don’t shoot (I’m
a man) elevam-se a hits, não obstante todas as restantes partilharem
o pódio. Torna-se difícil seleccionar entre tantas, as supostas candidatas a
single. No place like home levanta
suspeitas, ameaçando a balada saudosista que se adivinha, quando um kick
irrompe e desaba na repetição de «There’s no place like home... to return to»,
polvilhado com reminiscências do industrial melódico dos Covenant. Em What we
do protegem-se de eventuais críticas, não impedindo porém de todo o
trabalho ser alvo de reviews menos favoráveis.
Álbum especialmente para fãs, não esconde nem justifica a
linha menos interventiva que outrora nos foi familiar em Freedom of Choice. Please baby please assume,
paradoxalmente, o humor e a seriedade e quase se dançava em trejeitos de Add N
To (X), não fosse a faceta orgânica com laivos de rockabilly (à mistura) no
refrão. Mind games é uma intencional chamada ao blipblop – tentativa de
atrair novos públicos e recuperarem outros menos punkie? – com
riffs repetitivos e viciantes, que impedem assim uma versão estilizada do que
poderia ter acontecido, não fosse a ascensão semifinal da faixa. Ouve-se Fresh e pensa-se que, talvez, nem ficasse mal interpretada por Tim Curry, no seventie The
Rocky Horror Picture Show, quem sabe depois de um «Eddie» Meat Loaf
esquartejado por um Dr.Frank-N-Furter.
Marcados pelo regresso ao synhpop, mais que ao rock
pós-qualquer coisa que várias fontes gostaram de lhes aplicar, estes Devo
revestem as marchas imperativas com batidas gritantes em sequências óbvias com
baixos de três notas, intercaladas com kicks sonantes, tão apreciadas e
sedutoras no dancefloor. Doze novos temas em tour pelos EUA, num concerto que promete
experiências pictóricas num vjiing igual a eles próprios: folião, cáustico e
honesto ao imaginário político criado em vésperas dos 1980. E, desta vez, a cor
vermelha dos míticos capacetes é substituída pelo azul. Eventuais
interpretações semióticas ficam em aberto.
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